
Um levantamento nacional divulgado nesta quarta-feira (3) revelou que cerca de 25% dos brasileiros não sabem que o câncer é uma doença que pode ser prevenida. Os dados fazem parte do relatório Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, que avaliou o conhecimento da população sobre hábitos e comportamentos associados ao desenvolvimento da doença.
O estudo foi realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer. Ao todo, foram entrevistadas 6,5 mil pessoas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
Segundo estimativas do INCA, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, número 10,9% superior ao observado no período anterior. O aumento é atribuído principalmente ao envelhecimento da população e aos hábitos de vida.
Sedentarismo é um dos fatores menos reconhecidos
A pesquisa mostrou que, embora a maioria dos brasileiros reconheça os riscos do cigarro e da exposição excessiva ao sol, outros fatores relacionados ao câncer ainda são pouco conhecidos.
A falta de atividade física aparece entre os fatores de risco menos identificados pela população. Apenas 48,3% dos entrevistados associam o sedentarismo ao desenvolvimento da doença. O sobrepeso e a obesidade são reconhecidos como fatores de risco por 54,1% dos participantes, enquanto o consumo insuficiente de frutas e verduras foi apontado por 53,3%.
Já os alimentos ultraprocessados, como macarrão instantâneo, salgadinhos e sorvetes industrializados, foram relacionados ao câncer por 65,6% dos entrevistados. O consumo de bebidas alcoólicas foi citado por 71,3%, enquanto alimentos embutidos, como presunto e salsicha, foram mencionados por 70,7%.
Por outro lado, o tabagismo segue sendo o fator de risco mais reconhecido pela população. Mais de 90% dos entrevistados afirmaram saber que fumar aumenta as chances de desenvolver câncer.
Jovens lideram consumo de produtos associados ao risco
O relatório também identificou que os jovens com até 24 anos são os que mais consomem alimentos e bebidas associados ao aumento do risco da doença sem demonstrar intenção de reduzir esse hábito.
Entre os entrevistados dessa faixa etária, o consumo de ultraprocessados, bebidas adoçadas, embutidos e carne vermelha apresentou os maiores índices quando comparado aos demais grupos etários.
Informação e políticas públicas
Especialistas do INCA destacaram que campanhas educativas e políticas públicas têm papel fundamental na conscientização da população. O sucesso das ações de combate ao tabagismo foi apontado como exemplo de como informação, fiscalização e medidas regulatórias podem aumentar a percepção dos riscos à saúde.
O estudo também revelou que quatro em cada dez brasileiros desconhecem que o aleitamento materno pode ajudar na proteção contra o câncer de mama, evidenciando a necessidade de ampliar as estratégias de orientação e prevenção.
Fonte: Agência Brasil, com informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do relatório “Mais Dados Mais Saúde”.



