Teresina quarta-feira, 25 fevereiro, 2026

Anvisa aprova lenacapavir, injeção semestral que previne HIV com eficácia próxima de 100%

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (13) o uso do lenacapavir, medicamento injetável de longa duração que promete revolucionar a prevenção e o tratamento do HIV no Brasil. Desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences, o fármaco será comercializado com o nome Sunlenca e é o primeiro a oferecer proteção contra o vírus com apenas duas aplicações por ano.

O aval da Anvisa contempla duas indicações: a utilização como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), destinada a pessoas não infectadas pelo HIV com mais de 12 anos e peso superior a 35 quilos; e o uso no tratamento de pacientes que vivem com o vírus e apresentam resistência a outras classes de antirretrovirais.

Especialistas consideram a aprovação um marco no enfrentamento da epidemia. O infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Unesp, destaca que o lenacapavir possui um mecanismo de ação inovador e amplia significativamente as opções de prevenção e tratamento. Segundo ele, o próximo desafio será garantir acesso ao medicamento, especialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, a PrEP disponível no Brasil é feita por meio de comprimidos diários. Embora eficaz, a necessidade de uso contínuo dificulta a adesão de parte da população. O lenacapavir surge como alternativa por garantir proteção prolongada com aplicações semestrais.

Estudos clínicos internacionais demonstraram resultados expressivos. Em pesquisas com milhares de participantes em diversos países, incluindo o Brasil, a injeção apresentou eficácia entre 96% e 100% na prevenção da infecção pelo HIV, superando o desempenho da PrEP oral tradicional.

A Organização Mundial da Saúde já incluiu o medicamento entre as estratégias recomendadas de prevenção combinada, apontando-o como a melhor alternativa disponível enquanto uma vacina contra o HIV segue em desenvolvimento.

Apesar do avanço, o alto custo é apontado como principal obstáculo. Nos Estados Unidos, o tratamento anual supera 28 mil dólares por paciente. No Brasil, o preço ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. A inclusão no SUS dependerá de avaliação técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias e do Ministério da Saúde.

Além da prevenção, o lenacapavir também mostrou eficácia no tratamento de pacientes com HIV resistente, alcançando supressão viral em grande parte dos casos analisados em estudos clínicos.

As autoridades de saúde destacam que, além da aprovação regulatória, será fundamental investir em informação e estrutura de atendimento para ampliar o acesso às populações mais vulneráveis ao vírus.

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