
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, permanecendo dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com tolerância de até 4,5%. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa é a primeira vez desde 2019 que a inflação anual fica dentro do limite estabelecido e também o primeiro registro desse tipo durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o desempenho, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fica dispensado de encaminhar a carta explicativa exigida quando a meta é descumprida.
O índice ficou levemente abaixo das projeções do mercado financeiro, que estimavam inflação de 4,27% no ano. Em 2024, o IPCA havia encerrado em 4,83%. Segundo economistas, o patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic, mantida em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006, foi decisivo para conter a pressão inflacionária ao longo do ano.
De acordo com o IBGE, o resultado de 2025 é o quinto menor da série histórica iniciada com o Plano Real. Um dos principais fatores para o controle da inflação foi a desaceleração expressiva dos preços dos alimentos, que passaram de uma alta de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025. A alimentação no domicílio teve aumento ainda menor, de 1,43%, após registrar seis meses consecutivos de queda nos preços.
Itens como arroz e leite longa-vida apresentaram recuos significativos ao longo do ano, reflexo de maior oferta, safras favoráveis, condições climáticas positivas e estabilidade cambial, segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.
Por outro lado, o grupo habitação exerceu a maior pressão sobre o índice anual. A energia elétrica foi o item com maior impacto individual positivo, acumulando alta de 12,31%, impulsionada por reajustes tarifários e pela adoção frequente de bandeiras amarela e vermelha. Também registraram aumentos relevantes os cursos regulares, planos de saúde, aluguel residencial e serviços de alimentação fora do domicílio.
Apesar do alívio no índice geral, especialistas alertam para desafios à frente. O setor de serviços acelerou de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025, sustentado por um mercado de trabalho aquecido. Para analistas, esse cenário exige cautela do Banco Central, embora já haja expectativa de início de um ciclo de cortes de juros ao longo de 2026.
Na variação mensal, o IPCA de dezembro ficou em 0,33%, acima do resultado de novembro (0,18%) e considerado o melhor desempenho para o mês desde 2018.



