
Uma maioria qualificada dos países da União Europeia aprovou, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters, na sexta-feira (9), o acordo de livre-comércio entre o bloco europeu e o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura oficial do tramercontado após mais de duas décadas de negociações. A decisão foi tomada apesar da resistência de agricultores europeus e da oposição inicial da França.
Com o aval dos Estados-membros, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar nos próximos dias ao Paraguai, país que ocupa a presidência rotativa do Mercosul em 2026, para formalizar a assinatura do acordo com os países sul-americanos.
O tema está sendo discutido em Bruxelas por embaixadores dos 27 países da UE. Considerado um dos maiores acordos comerciais já firmados pelo bloco, o tratado criará uma zona de livre-comércio que abrange mais de 720 milhões de consumidores. Juntas, as economias envolvidas representam cerca de US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
As tratativas, iniciadas há 26 anos, enfrentaram entraves recentes, especialmente ligados à proteção do setor agrícola europeu. Em dezembro, a assinatura foi adiada após França e Itália condicionarem o apoio à adoção de garantias adicionais para os produtores rurais, que temem concorrência de produtos do Mercosul.
Nos últimos dias, a Comissão Europeia intensificou o diálogo para destravar o acordo. Ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de compensação ao setor, incluindo o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC), cujo montante total chega a 293,7 bilhões de euros. A iniciativa foi bem recebida pela Itália, que sinalizou a retirada de suas objeções ao tratado.
O acordo ainda deverá passar pelos trâmites formais de ratificação nos países envolvidos.
Com informações O Globo



