Teresina quarta-feira, 11 março, 2026

Piauí registra maior desigualdade de renda do país, aponta IBGE, apesar de queda na pobreza

O Piauí é o estado com maior desigualdade de renda do Brasil, segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres no território piauiense supera a média nacional e revela um cenário ainda desafiador no combate às desigualdades.

De acordo com o IBGE, a renda dos 10% mais ricos no estado chega a cerca de R$ 9,6 mil, enquanto os 40% mais pobres, que representam mais de 523 mil piauienses, recebem em média R$ 608. A disparidade coloca o Piauí no topo do ranking nacional, com um índice de desigualdade de 15,8 vezes, frente à média do país, que é de 11,5 vezes.

Pobreza ainda atinge mais de um terço da população

Apesar da elevada desigualdade, os dados mostram um avanço no combate à pobreza. O estado registrou redução no número de pessoas vivendo nessa condição: 37,3% da população está classificada como pobre, uma queda de 7,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

O IBGE ressalta que a melhora é consequência direta de políticas de transferência de renda. Segundo o órgão, sem programas sociais como Bolsa Família e Auxílio Emergencial, o índice de pobreza subiria para 47,1% da população em 2024.

Os dados revelam que, embora a pobreza tenha diminuído, a distância entre os que ganham mais e os que ganham menos segue ampliada, indicando que o estado ainda enfrenta barreiras estruturais para garantir distribuição de renda mais equilibrada.

A combinação entre desigualdade elevada e dependência de benefícios sociais evidencia a necessidade de políticas públicas permanentes, voltadas para geração de emprego, qualificação profissional e desenvolvimento econômico, elementos apontados por especialistas como essenciais para uma mudança efetiva no cenário socioeconômico do Piauí.