Teresina quinta-feira, 12 março, 2026

Operação investiga influenciadores de Parnaíba por promover apostas ilegais e rifas clandestinas; movimentação passa de R$ 5 milhões

Quatro influenciadores digitais de Parnaíba, no litoral do Piauí, foram alvos nesta sexta-feira (21) da segunda fase da Operação Laverna, deflagrada pela Polícia Civil e Polícia Militar da Secretaria de Segurança Pública. A ação cumpriu medidas judiciais relacionadas a uma investigação sobre crimes digitais envolvendo a promoção de plataformas de apostas ilegais e rifas clandestinas.

Os investigados foram identificados como S.C. dos S. (Sarah Brenna), L.M.B., L.C.M.J. e J.V.A.P. (Júnior Mídia). Segundo a polícia, o grupo teria utilizado suas redes sociais para impulsionar atividades ilícitas que movimentaram valores superiores a R$ 5 milhões, sem comprovação de origem lícita.

Promoção de jogos e rifas sob suspeita

De acordo com as investigações, três dos suspeitos — S.C. dos S., L.M.B. e L.C.M.J. — produziam conteúdos nas redes sociais para divulgar jogos de azar online, como o popular “Jogo do Tigrinho”. As publicações usavam vídeos editados, ostentação de ganhos, links personalizados e linguagem motivacional para atrair seguidores e criar falsas expectativas de lucro fácil.

Já J.V.A.P. teria atuado na promoção de rifas apresentadas como beneficentes, sem comprovação de que os valores arrecadados fossem destinados a projetos sociais. As investigações apontam que ele teria lucrado diretamente com a prática.

Uma análise financeira apontou movimentações incompatíveis com renda formal declarada:

  • L.M.B. movimentou R$ 213.606,60

  • S.C. dos S. movimentou R$ 1.311.784,32

  • A.S.H.A.S. (marido de S.C. dos S.) movimentou R$ 1.664.582,01

  • L.C.M.J. movimentou R$ 637.783,14

  • J.V.A.P. movimentou R$ 1.173.117,64, recebidos majoritariamente em pequenas transferências de mais de 3 mil pessoas — padrão associado a rifas ilegais.

A polícia apura possíveis delitos como estelionato, indução do consumidor ao erro, exploração de loteria não autorizada e lavagem de dinheiro. O delegado Ayslan Magalhães afirma que o conjunto de provas aponta para ocultação patrimonial e obtenção de vantagem ilícita por meio de plataformas digitais.

“Não vamos tolerar o uso das redes sociais para promover apostas ilícitas, rifas ilegais ou qualquer prática destinada a enganar consumidores e obter vantagens indevidas”, declarou o delegado.

A operação recebe o nome Laverna em referência à deusa romana associada a fraudes e atos ocultos, simbolizando o caráter dissimulado das ações investigadas.

A ação contou com participação da 2ª Delegacia Seccional de Parnaíba, DFHT, SOI, Diretoria de Inteligência, LAB-LD e DRACO.

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