
O Tribunal do Júri de Teresina condenou, nesta terça-feira (11), Anderson Figueredo do Amaral a mais de sete anos de prisão, somando pena em regimes fechado e semiaberto, além do pagamento de 180 dias-multa. Ele foi responsabilizado pelos crimes de lesão corporal grave e descumprimento de medida protetiva contra sua ex-esposa, Nathalia Cantuário, designer de sobrancelhas.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu em julho de 2023, poucos dias após Nathalia obter medidas protetivas por conta das ameaças do ex-companheiro. Na ocasião, Anderson teria se aproximado da residência da vítima disfarçado de entregador, usando uma terceira pessoa para enganá-la. Assim que o portão foi aberto, ele a atacou com golpes de faca, atingindo principalmente as pernas, além de tentar esganá-la.

O Ministério Público do Piauí (MPPI) denunciou o caso como tentativa de feminicídio qualificada, mas o Conselho de Sentença decidiu desclassificar o crime para lesão corporal grave, entendendo que não houve intenção de matar.
O julgamento foi conduzido pelo juiz Ronaldo Paiva Nunes Marreiros, com atuação do promotor de Justiça Ubiraci de Sousa Rocha pelo MPPI e dos advogados Smailly Araújo Carvalho da Silva e Carlos Eduardo de Sousa Costa na defesa.
Durante a sessão, Nathalia depôs de forma remota, com autorização judicial, por temer reencontrar o agressor. Enquanto a acusação pediu condenação por tentativa de feminicídio, a defesa sustentou que não havia dolo de matar, tese que foi aceita pelos jurados.
Na sentença, o juiz negou ao réu o direito de recorrer em liberdade e determinou a intimação pessoal de Anderson, além da expedição de mandado de recolhimento caso descumpra as determinações judiciais.
O Ministério Público informou que recorrerá da decisão ao Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), buscando a reclassificação do crime como tentativa de feminicídio.



