Teresina quinta-feira, 26 fevereiro, 2026

Polícia aponta coação de grupo de agiotas como causa de morte de empresário em Teresina

A Polícia Civil do Piauí concluiu que a morte de um empresário do ramo de motopeças, registrada no Parque Piauí, zona Sul de Teresina, está diretamente ligada a pressões exercidas por uma organização criminosa que atuava com agiotagem. As investigações indicam que o homem foi submetido a cobranças intensas e ameaças, o que teria levado ao suicídio.

De acordo com o delegado Leonardo Alexandre, responsável pelo inquérito, a vítima vinha sendo cobrada de forma insistente por integrantes do grupo, que operava empréstimos clandestinos com juros abusivos. A análise do celular do empresário confirmou o volume de mensagens com ameaças e intimidações. A vítima sofreu coações constantes relacionadas a uma dívida que havia contraído. “A pressão era direcionada especificamente para o responsável pela aquisição da dívida”, afirmou o delegado.

A polícia identificou como principal suspeito um indivíduo brasileiro que já está preso por outro procedimento do Departamento de Narcóticos (Denarc). Além dele, estrangeiros “colombianos”, também participariam do esquema e atuariam diretamente nas cobranças.

Segundo a investigação, o empresário tinha uma dívida que ultrapassava R$ 40 mil e estava sob forte pressão. As ameaças incluíam cobrança diária, risco à integridade física e perseguição, caracterizando potencial extorsão. A 4ª Delegacia Seccional agora compartilha as informações com a Superintendência de Operações Integradas (SOI), que cruza dados com outros casos semelhantes registrados no estado.

Operação Macondo reforça suspeitas

O caso voltou a ganhar destaque após a Operação Macondo, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública nesta semana, que desarticulou uma ampla rede de agiotagem, lavagem de dinheiro e coação psicológica em seis cidades do Piauí. A ação cumpriu 15 mandados de prisão, 18 de busca e apreensão e determinou o bloqueio de R$ 5 milhões.

O grupo, formado majoritariamente por colombianos e venezuelanos, oferecia empréstimos rápidos, sem contrato formal, cobrando juros superiores a 30% ao mês. Relatos coletados pela polícia apontam métodos de cobrança violentos, incluindo destruição de mercadorias, ameaças a familiares e perseguições. Há também registros de desaparecimentos e de casos de suicídio associados à impossibilidade de quitar as dívidas.

A Polícia Civil segue investigando possíveis conexões entre o grupo e outras mortes suspeitas relacionadas ao esquema de agiotagem no estado.

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