
A Polícia Civil do Piauí abriu investigação para apurar ameaças recebidas pelo diretor-geral do Instituto de Metrologia do Estado (Imepi), Júnior Macêdo, após a participação do órgão na Operação Carbono Oculto 86. A ação, deflagrada recentemente, expôs um amplo esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no mercado de combustíveis vinculado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante a operação, 49 postos de combustíveis foram interditados em municípios do Piauí, Maranhão e Tocantins. As investigações apontam que a organização criminosa movimentou cerca de R$ 5 bilhões entre 2023 e 2025 por meio de estruturas empresariais de fachada e manipulações comerciais.
O Imepi desempenhou um papel central na identificação das irregularidades. A equipe técnica encontrou cerca de 40 placas eletrônicas instaladas para adulterar o volume de combustível entregue aos consumidores, mecanismo que ficou conhecido como “medida baixa”. Ao todo, mais de 70 empresas estariam envolvidas, incluindo construtoras, distribuidoras, transportadoras, fintechs e redes de postos.
Júnior Macêdo relatou que servidores do órgão foram alvo de pressões e tentativas de suborno. Segundo ele, pessoas ligadas ao grupo criminoso chegaram a oferecer R$ 500 mil para interferir no trabalho de fiscalização. “Todas as informações foram repassadas às autoridades competentes”, afirmou.
Empresários e bens apreendidos

Entre os principais alvos da operação estão os empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, proprietários das redes de postos HD e Diamante. As investigações apontam que o grupo utilizava um esquema sofisticado com empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar capitais ilícitos e ocultar patrimônio.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos um avião pertencente a Haran Santiago e uma Porsche avaliada em mais de R$ 550 mil. Também houve bloqueio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, somando até R$ 348,7 milhões, conforme decisão assinada pelo juiz Valdemir Ferreira Santos.
As empresárias Thamyres Leite Moura Sampaio e Thayres Leite Moura Coelho, esposas dos envolvidos e sócias das redes HD e Diamante, também são investigadas por participação no esquema.
Imepi reafirma confiança nas instituições
O Instituto de Metrologia do Estado do Piauí (IMEPI) informa, diante da repercussão na imprensa, que todas as informações relacionadas às ameaças dirigidas ao diretor-geral, Júnior Macedo, já estão sendo apuradas pela Polícia Civil e serão devidamente encaminhadas aos órgãos competentes.
O IMEPI reitera total confiança nas instituições de segurança e reforça que o episódio ocorre em meio a um trabalho firme e transparente que vem sendo desenvolvido nesta gestão, com foco em modernização, combate a irregularidades e fortalecimento da fiscalização em todo o estado.
Desde o início da gestão, o IMEPI vem passando por um amplo processo de reestruturação, com:
• modernização da sede e dos laboratórios, garantindo mais eficiência e segurança técnica;
• investimento em tecnologia e equipamentos de ponta;
• capacitação constante dos servidores e fiscais;
• ampliação das superoperações em todo o Piauí;
• e fortalecimento das parcerias com o MPPI, SSP e Polícia Civil.
“O IMEPI segue comprometido com a verdade, a transparência e a defesa do consumidor piauiense. Nosso trabalho é técnico, independente e continuará sendo conduzido com responsabilidade e respeito à lei”, afirmou Júnior Macedo.



