Teresina sábado, 28 fevereiro, 2026

Envelhecer no Brasil: tema do Enem 2025 reacende alerta sobre etarismo e desafios sociais

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 levou para o centro da prova uma pauta sensível e cada vez mais atual: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. O tema foi revelado na tarde deste domingo (9) pelo ministro da Educação, Camilo Santana, por meio das redes sociais.

Os participantes começaram a redação às 13h30, junto às provas de linguagens e ciências humanas, com término previsto para as 19h (horário de Brasília). A proposta exige que os candidatos desenvolvam um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, apresentando visão crítica sobre o envelhecimento no país, com defesa de um ponto de vista e uma proposta de intervenção social que respeite os direitos humanos.

O debate sobre a população idosa ganhou força nos últimos anos. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliaram que o tema coloca em evidência questões como etarismo, violações de direitos, políticas públicas deficientes e as transformações demográficas que o Brasil enfrenta.

A professora de redação Bárbara Soares considerou que o Enem “coloca uma lupa” sobre um grupo vulnerável, destacando a necessidade de refletir sobre proteção social, qualidade de vida e combate ao preconceito por idade. Ela observou que casos recentes envolvendo desvios de recursos de aposentadorias e o avanço da população idosa tornam o assunto ainda mais relevante.

Mudança demográfica e políticas públicas

Projeções citadas pelo professor Thiago Braga indicam que, em 2070, quase 40% da população brasileira será composta por pessoas idosas. Ele lembrou que a transformação da pirâmide etária já é visível nas escolas e que referências como o Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003, podem auxiliar os alunos na construção de argumentos.

Outros docentes também destacaram que o envelhecimento não deve ser analisado apenas sob a ótica da saúde, mas como fator que atravessa aspectos sociais, econômicos e culturais, incluindo abandono, preconceito e exclusão do mercado de trabalho.

Complexidade e repertório acessível

A professora Rayana Roale classificou o tema como de “complexidade mediana”, afirmando que há ampla disponibilidade de informações e repertórios, desde debates recentes sobre direitos previdenciários até discussões sobre envelhecimento de populações específicas, como a comunidade LGBTQIA+. Já a professora Michele Marcelino considerou que o Enem “acertou em cheio” ao propor um assunto que exige olhar humanizado e postura crítica dos estudantes.

Debate social ampliado

O tema também dialoga com reportagens recentes da Agência Brasil. No início do mês, a história de médicos com mais de 80 anos que seguem atuando na profissão foi destaque, ressaltando a importância do convívio intergeracional como ferramenta contra o etarismo. Já em 2024, séries sobre envelhecimento na comunidade LGBTQIA+ abordaram a necessidade de políticas públicas específicas e respeito à diversidade.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ressaltou que o assunto provoca reflexões sobre acesso ao trabalho, previdência e saúde pública. Ela destacou ainda que o ensino superior tem se tornado mais diverso, reunindo jovens e pessoas idosas na mesma sala de aula — cenário que, segundo ela, enriquece a experiência acadêmica.

Com mais um tema que espelha desafios contemporâneos, o Enem 2025 reforça seu papel de estimular o pensamento crítico e o debate social entre milhões de estudantes em todo o país.

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