
O caso da mulher conhecida como “Japinha” ou “Penélope”, apontada como uma das principais integrantes do Comando Vermelho (CV), ganhou novos desdobramentos após a identificação oficial dos mortos na megaoperação realizada nas comunidades do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A imagem que circulou nas redes sociais, mostrando um rosto desfigurado e atribuída à “musa do crime”, não corresponde a ela, segundo confirmaram policiais envolvidos na ação.
De acordo com áudios obtidos pela coluna Na Mira, do portal Metrópoles, o corpo encontrado vestindo roupas camufladas e colete tático pertencia a um homem, cuja identidade não foi divulgada. Além disso, o nome de Japinha não aparece na lista oficial dos 115 suspeitos já identificados entre os mortos, todos homens, conforme a Polícia Civil.
A ausência da jovem na relação oficial reacendeu o mistério sobre o seu verdadeiro paradeiro. Uma das últimas imagens conhecidas de Penélope mostra a mulher empunhando um fuzil e vestida como combatente, o que contribuiu para sua fama nas redes sociais.
Suposta morte e desinformação nas redes

Após a operação, rumores de que Japinha teria morrido ganharam força na internet, impulsionados pela circulação de uma foto explícita de um corpo baleado. Contudo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro nunca confirmou a morte da criminosa.
A repercussão também deu origem a perfis falsos em redes sociais, usando a imagem da suposta traficante para espalhar fake news, pedir dinheiro via Pix e promover apostas online. A irmã da Japinha chegou a se manifestar publicamente, pedindo que as pessoas parassem de divulgar imagens da mulher e informações não confirmadas.
A operação mais letal do país

A megaoperação, deflagrada em 28 de novembro, é considerada a mais letal da história do Brasil, com 121 mortos. A ação teve como objetivo conter o avanço do Comando Vermelho e cumprir cerca de 100 mandados de prisão nas comunidades.
Segundo a Polícia Civil do Rio (PCERJ), entre os mortos, 59 possuíam mandados de prisão pendentes e 97 tinham histórico criminal relevante. Outros 12 apresentavam indícios de envolvimento com o tráfico em suas redes sociais.
O levantamento ainda aponta que 54% dos criminosos não eram do Rio de Janeiro, vindos de 11 estados diferentes, incluindo Pará, Bahia, Amazonas e Goiás, o que revela a expansão nacional da facção.
As investigações sobre as mortes continuam sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), com acompanhamento do Ministério Público, enquanto a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil apura a origem e o vínculo dos mortos com o Comando Vermelho.



