Teresina terça-feira, 10 março, 2026

Operação Vice-Cônsul: advogados são transferidos para presídio em Altos após audiência de custódia

Foto: Pauta Judicial/Reprodução

Os advogados Juarez Chaves e Flávio Almeida Martins foram transferidos, no final da manhã desta quarta-feira (22), para a Penitenciária Regional de Altos (Humberto Reis da Silveira), na Região Metropolitana de Teresina. A transferência ocorreu após audiência de custódia no âmbito da nova fase da Operação Vice-Cônsul, conduzida pela Polícia Civil do Piauí.

Além dos advogados, Luceli Moura, ex-assessora do Governo do Estado, também foi levada para a Penitenciária Feminina de Teresina.

Segundo a Polícia Civil, a prisão temporária dos três foi determinada devido a indícios de tentativa de obstrução das investigações, especialmente por parte de Juarez Chaves, conforme apuração do delegado Tales Gomes, da Diretoria de Polícia Especializada (DPE).

A unidade prisional em Altos, onde os advogados estão custodiados, abriga cerca de 150 detentos e é classificada como de segurança média. Por se tratarem de profissionais com prerrogativas legais, protocolos diferenciados de segurança e integridade física costumam ser adotados nesses casos.

Entenda o motivo das prisões

Nesta nova fase da Operação Vice-Cônsul, as prisões temporárias de Juarez Chaves, Flávio Almeida Martins e Luceli Moura foram deferidas após a Polícia Civil identificar tentativas de interferir no curso das investigações.

De acordo com informações obtidas com exclusividade pelo GP1, os investigadores identificaram diálogos entre os suspeitos, nos quais é mencionada a possível influência de um desembargador para favorecer o grupo durante o andamento do processo.

Suspeita de obstrução

No dia 2 de setembro, durante a segunda fase da operação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão. Nessa ocasião, o advogado Juarez Chaves compareceu à sede da Delegacia-Geral, em Teresina, e entregou um celular modelo Moto G35, avaliado em cerca de R$ 1 mil, para cumprimento da ordem judicial.

O delegado Tales Gomes considerou o gesto suspeito, já que o aparelho era incompatível com o padrão financeiro do advogado e não correspondia ao que ele normalmente utilizava. Posteriormente, as investigações confirmaram que Juarez teria inserido seu chip no aparelho entregue, ocultando o celular real, o que foi classificado pela polícia como tentativa de obstrução das investigações.

Conversa cita desembargador

Outro ponto que motivou as prisões foi uma conversa de WhatsApp entre Luceli Moura e Flávio Almeida Martins, ocorrida em 26 de agosto, na qual é mencionado um desembargador (nome não revelado):

“Conversei com um amigo que disse que o melhor é ficar calado. Deixar o tempo fluir. E depois negociar com o desembargador em uma conversa amigável. Se reservar o direito de ficar calado em todas as respostas. Esse amigo conhece o desembargador e faz o caminho. Depois te explico”, escreveu Luceli a Flávio.

Conversa entre Lucile Moura e Flávio Almeida Martins / Foto: GP1

De acordo com o juiz Caio Cézar de Carvalho, a troca de mensagens revela intenção de interferir no curso do processo e possível tentativa de coação, com expectativa de influenciar um magistrado de segundo grau em favor dos investigados.

Entenda a Operação Vice-Cônsul

A Operação Vice-Cônsul investiga um suposto esquema de fabricação de informações falsas para atingir magistrados e servidores do Judiciário. Segundo a Polícia Civil, Juarez Chaves, Flávio Almeida Martins e Luceli Moura teriam atuado na elaboração e divulgação de denúncias inverídicas com o objetivo de comprometer juízes e desembargadores.

As investigações começaram após a identificação de uma notícia-crime anônima registrada junto ao GAECO/MPF, envolvendo uma servidora do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI). Posteriormente, um aditivo à denúncia incluiu dois magistrados como supostos alvos das acusações.

O advogado Henrique Martins Costa e Silva, também investigado, protocolou um pedido de providências contra dois juízes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 20 de junho deste ano, o que levou os magistrados a registrarem boletim de ocorrência por calúnia majorada e denunciação caluniosa.

Em 12 de agosto, Flávio Almeida Martins teria ido pessoalmente ao gabinete de um desembargador e deixado um dossiê com acusações falsas contra juízes, material que, segundo a polícia, foi elaborado com o apoio de Luceli Moura e Juarez Chaves.

Os três permanecerão presos por cinco dias, prazo da prisão temporária, podendo o período ser prorrogado a depender do andamento das investigações.