
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por cerca de 30 minutos, nesta segunda-feira (6), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No diálogo, Lula pediu a revisão da sobretaxa de 40% imposta a produtos brasileiros e a retirada de sanções aplicadas a autoridades do país.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois líderes trocaram números de telefone para manter uma comunicação direta e concordaram em realizar um encontro presencial em breve.
Durante a conversa, Lula destacou que o Brasil é um dos três países do G20 com os quais os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços. O presidente brasileiro argumentou que as medidas impostas prejudicam o comércio bilateral e pediu a Trump que as revise.
Trump, por sua vez, designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o chanceler Mauro Vieira.
Além das tarifas, o governo Trump também revogou vistos de autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Executivo. O presidente norte-americano chegou a incluir o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, que pune estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou de corrupção.
Lula classificou o telefonema como uma oportunidade de reaproximação entre as duas maiores democracias do Ocidente. Ele lembrou a “boa química” que teve com Trump em setembro, quando se encontraram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O presidente brasileiro sugeriu que o encontro presencial ocorra durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, prevista para o fim do mês. Lula também reiterou o convite para que Trump participe da COP30, que será realizada em 2025 em Belém (PA), e afirmou estar disposto a viajar aos Estados Unidos para a reunião.
A expectativa é que as tratativas ajudem a reduzir a tensão entre os dois países, que vivem, segundo especialistas, um dos momentos mais delicados das relações bilaterais nas últimas décadas.



