Teresina quinta-feira, 16 abril, 2026

Bebida destilada, perigo oculto: como o metanol pode levar à cegueira em horas?

Casos recentes de intoxicação por metanol no Estado de São Paulo têm chamado atenção das autoridades de saúde e oftalmologistas. Entre os 22 registros suspeitos, cinco foram confirmados e 17 estão em investigação. Pelo menos três pessoas relataram perda de visão, total ou parcialmente, ou foram diagnosticadas com lesão no nervo óptico, incluindo Radharani Domingos, ainda hospitalizada, e Diogo Marques, que chegou a recuperar a visão parcialmente.

Segundo a oftalmologista Ana Luísa Quintella Aleixo, do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz, o nervo óptico é uma das primeiras estruturas a serem afetadas pelo metanol. “A visão não é um processo somente do globo ocular, é um processo da interação do olho com o cérebro. E quem faz a ponte do olho com o cérebro é essa estrutura chamada nervo óptico”, explica.

O metanol, presente em bebidas adulteradas, é processado pelo fígado, transformando-se em formaldeído e, posteriormente, em ácido fórmico, que é o principal responsável pelos danos às células nervosas, incluindo retina e nervo óptico. O ácido fórmico interfere nas mitocôndrias, essenciais para a produção de energia das células do sistema nervoso, provocando danos graves à visão.

O metanol não se destina ao consumo humano — e é altamente tóxico — Foto: Adobe Stock

O tempo de atendimento médico é crucial. Os especialistas alertam que o suporte deve ocorrer em até doze horas após a ingestão do metanol, incluindo administração de antídotos, hemodiálise e medidas para eliminar o veneno do corpo. Mesmo doses pequenas podem ser perigosas se não houver atendimento rápido, enquanto doses maiores com suporte imediato podem ter impacto menor.

Além da visão, fatores como doenças do fígado, deficiência de vitaminas, desnutrição e alcoolismo crônico aumentam o risco de lesões graves. Estudos indicam que 30% a 40% dos sobreviventes de intoxicações graves por metanol apresentam algum grau de perda visual. Quando o nervo óptico já é lesionado, a recuperação é limitada, sendo necessária a utilização de recursos ópticos, apoio psicológico e terapias de reabilitação.

A Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo investigam os casos, que ocorreram após o consumo de destilados adquiridos em bares e adegas. Embora ainda não haja confirmação sobre a origem do metanol, autoridades apontam a possibilidade de adulteração de bebidas.

O metanol possui aparência e sabor semelhantes ao álcool, e os primeiros sintomas incluem náuseas, vômitos, embriaguez e confusão mental, o que dificulta a identificação imediata do risco. Especialistas reforçam o alerta à população: evitar consumir bebidas destiladas de procedência duvidosa é a medida mais eficaz para prevenir intoxicações graves.

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