Teresina sexta-feira, 27 fevereiro, 2026

O voyeur de pornografia: Uma análise por Arnaldo Eugênio, Doutor em Antropologia

Coluna Perspectiva por Arnaldo Eugênio – Doutor em Antropologia

Este artigo é uma continuação de outro texto publicado em 2024. Assim, continuando a pesquisa empírica, com visitas a dezenas de sites pornográficos, incluindo as conversas informais com adultos e adolescentes (masculinos e femininos), em Teresina, percebo uma expansão do consumo de pornografia e do voyeurismo, que não exclui a classe social, o nível escolar nem o gênero.

A pesquisa empírica, e autoral, através de visitas aos sites temáticos, as leituras de artigos sobre pedofilia e conversas informais, iniciou no 1º semestre de 2024 e continua em 2025, para acompanhar o ranking de tráfego ou consumo e o tempo médio gasto pelos “voyeurs” com os filmes (vídeos) e as páginas pornográficas.

O voyeurismo ou mixoscopia é uma prática que consiste em um indivíduo conseguir obter prazer sexual através da observação de pessoas nuas, seminuas, erotizadas ou em cenas de sexo – hoje, muito comum em perfis particulares e de empresas nas redes sociais. Mesmo o voyeurismo sendo uma prática social, quando no contexto da sexualidade ainda é visto como um tabu.

A pornografia é um fenômeno social complexo que estimula milhares de adeptos (homens e mulheres) a prática do “voyeurismo” – ou “voyeur”, do francês, “aquele que vê”–, no mundo. Os motivos são diversos, variando do prazer instantâneo e a criação de fantasias eróticas, até o uso para “melhorar” o sexo e o preenchimento de vazios emocionais recorrentes.

Não há um único ranking oficial e consistente de consumo de pornografia, variando a fonte e a metodologia. Em 2018, dados da Quantas Pesquisas e Estudos de Mercado mostrou que a maior parte é jovem (58% têm menos de 35 anos), de classe média alta (49% pertencem à classe B) e está em um relacionamento sério (69% são casados ou estão namorando). Além disso, 49% do público concluiu o ensino médio e 40% têm curso superior.

Em 2024, a Fast Company Brasil, apresentou um conjunto de dados de diferentes plataformas e análises apontam a Espanha, França e o Brasil entre os países com alto consumo. No caso do Brasil, o país ocupa uma das primeiras posições, com destaque para a liderança no consumo de pornografia trans – um campo para outra pesquisa.

O perfil dos consumidores de pornografia no Brasil, especialmente em Teresina, se mostra variado. Porém, contando os adolescentes, a tendência é aumentar o consumo de pornografia, com predominância de homens – que buscam satisfazer desejos pessoais ou para uso compartilhado com parcerias –, enquanto mulheres consomem menos, com o uso em casa, ocasional e/ou até em relações poligâmicas.

Contudo, a pornografia é histórica no imaginário social e se expandiu, como mercadoria, com as plataformas digitais. Hoje, a pornografia adquiriu um caráter comercial, tanto para os profissionais do sexo (e amadores) quanto para as empresas do setor. Em 2018, o Pornhub, um dos maiores sites de pornografia gratuita do mundo, faturou mais de R$ 33,5 bilhões.

Uma questão problemática é que atrás de um voyeur pode se esconder um maníaco ou perseguidor sexual e até um pedófilo. Além de estímulo à prática de crimes, o “voyeur pornográfico” pode experimentar efeitos catastróficos na saúde mental e sexual. Assim, o consumo descontrolado de pornografia pode se tornar uma questão de saúde pública, por diluir a “fiação neural”.

Portanto, além de prazer pessoal e lucros a empresa do setor, a pornografia pode aumentar o voyeurismo com vídeos pornôs na internet. E, também, pode servir de estimulante para que alguns voyeurs saciem a “mente criminosa”.

Coluna Perspectiva por Arnaldo Eugênio – Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio; Cientista Social – Doutor em Antropologia – Mestre em Políticas Públicas – Especialista em Segurança Pública – Consultor do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos (CEEDH-PI)

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