
A Polícia Civil do Piauí detalhou, nesta quinta-feira (25), os desdobramentos da Operação “Jogo Sujo 3”, deflagrada em Teresina contra influenciadores digitais suspeitos de promover plataformas clandestinas de apostas online. A ação faz parte do Pacto pela Ordem, programa que intensifica o enfrentamento ao crime organizado no estado.
Entre os presos estão a influenciadora Maria Vitória, conhecida como DJ Latina Gold, e o marido, DJ Loboox. De acordo com as investigações, o casal sozinho teria movimentado mais de R$ 14 milhões entre 2023 e 2025. Outras duas influenciadoras também foram detidas: Técia e Nayanna Fonseca, proprietária de uma loja de roupas.

Segundo o delegado Matheus Zanatta, os investigados enganavam seguidores ao divulgar o chamado “jogo do tigrinho”, usando contas de demonstração para simular lucros inexistentes.
“Eles não tinham nenhuma compaixão com seus seguidores. O objetivo era enganar e levar essas pessoas ao prejuízo”, afirmou.
O delegado Alisson destacou que, juntos, os quatro presos movimentaram cerca de R$ 30 milhões em dois anos. O dinheiro, segundo a polícia, era lavado por meio de empresas de fachada, imóveis e veículos de luxo.
“Duas das investigadas possuíam lojas de roupas registradas em nome de terceiros. Muitas eram abertas e logo depois baixadas, o que levantou forte suspeita de lavagem de dinheiro”, explicou.
As investigações também revelaram que as plataformas ilegais utilizavam estratégias agressivas para prender os apostadores. “Recebemos boletins de ocorrência de vítimas relatando perdas de até R$ 400 mil”, completou Alisson.
Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em diferentes zonas da capital, além da decretação de quatro prisões temporárias. Carros, motocicletas, imóveis e outros bens de alto valor foram apreendidos e contas bancárias dos investigados tiveram bloqueio solicitado à Justiça.
A Polícia Civil acredita que os influenciadores faziam parte de uma rede criminosa maior, formada por desenvolvedores de plataformas, financiadores, intermediadores de pagamentos e recrutadores de perfis com grande alcance nas redes sociais.
Os presos devem responder por lavagem de capitais, organização criminosa, exploração de jogos de azar e crimes contra o consumidor. As investigações continuam para identificar outros envolvidos.



