Teresina sexta-feira, 30 outubro, 2026

Estudo da Universidade Federal de Goiás revela que cera de ouvido pode auxiliar no diagnóstico precoce do câncer

Um estudo inovador conduzido por cientistas da Universidade Federal de Goiás (UFG) está mostrando resultados promissores para antecipar o diagnóstico de câncer por meio da análise da cera do ouvido. Segundo os pesquisadores, o material — acumulado de forma natural no ouvido — funciona como uma espécie de “impressão digital” da saúde do organismo.

“Ela é uma pepita de ouro que tá trazendo informações do corpo humano pra nós. E ela tá num lugar relativamente protegido de influências externas, de contaminações externas e é de fácil coleta”, afirma Camilla Oliveira, médica otorrinolaringologista envolvida na pesquisa. O material é analisado em laboratório para identificar alterações químicas que indicam possíveis doenças.

O estudo, que começou há dez anos, já permitiu detectar condições como diabetes e câncer. Mais recentemente, os cientistas observaram que a análise da cera pode identificar alterações em etapas anteriores ao desenvolvimento do câncer, facilitando o tratamento precoce e aumentando as chances de cura.

A pesquisa, desenvolvida em parceria com o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), contou com 751 voluntários. Entre os 220 sem diagnóstico prévio, cinco apresentaram substâncias atípicas na cera, que indicaram a presença de câncer confirmada posteriormente por exames convencionais. Entre os 531 pacientes já em tratamento oncológico, o teste identificou corretamente a doença em todos.

José Luiz Spigolon, voluntário da pesquisa, teve câncer de próstata em 2012 e se curou. Em 2019, o teste com cera do ouvido indicou células cancerígenas em sua região pélvica, detectando a doença precocemente. Após 36 sessões de radioterapia e novos testes com a cera, ele foi confirmado curado.

“Quanto antes a descoberta, quanto mais cedo é diagnosticada a presença do câncer no organismo, maior é a possibilidade de cura total”, destaca José Luiz.

A técnica ainda depende de regulamentação, mas os pesquisadores estimam que, quando aprovada, será de baixo custo, de fácil coleta e com grande impacto social. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Scientific Reports, reforçando o potencial da cera do ouvido como ferramenta inovadora no diagnóstico precoce do câncer.

Patrícia Milhomen, médica oncológica do Hospital Amaral Carvalho, enfatiza o avanço: “Se tudo ocorrer como esperamos, este teste poderá tornar o diagnóstico rápido e acessível, beneficiando milhares de pessoas.”

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