Teresina segunda-feira, 19 outubro, 2026

Nova diretriz classifica pressão de 12 por 8 como pré-hipertensão

Uma nova diretriz divulgada nesta quinta-feira (18) no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia redefiniu os limites de pressão arterial considerados de risco no Brasil. O documento, elaborado em conjunto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), passa a classificar como pré-hipertensão valores entre 120 e 139 mmHg de pressão sistólica e/ou 80 a 89 mmHg de pressão diastólica.

Antes considerados “normais limítrofes”, esses números agora exigem atenção médica, com recomendações de mudanças no estilo de vida e, dependendo do risco do paciente, início de tratamento medicamentoso. A medida segue tendências internacionais, alinhando-se às diretrizes do Congresso Europeu de Cardiologia de 2024, que também considera a partir de 12 por 8 mmHg como pressão elevada.

Outra mudança importante diz respeito às metas para pacientes hipertensos. Até então, a pressão de 140/90 mmHg era considerada aceitável. Com a nova diretriz, o alvo passa a ser abaixo de 130/80 mmHg para todos os pacientes, independentemente de idade, sexo ou comorbidades. Segundo os especialistas, o objetivo é reduzir complicações como infarto, AVC e insuficiência renal.

O relatório também introduz o escore PREVENT, que calcula o risco cardiovascular global em 10 anos, considerando fatores como obesidade, diabetes, colesterol alto e lesões em órgãos-alvo. Pacientes de alto risco receberão condutas mais intensas, aproximando o tratamento da chamada medicina de precisão.

Inclusão do SUS e atenção à saúde feminina

Pela primeira vez, a diretriz dedica atenção específica ao Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por acompanhar cerca de 75% dos hipertensos no Brasil. O documento recomenda priorizar medicamentos disponíveis na rede pública, protocolos multiprofissionais e monitoramento ambulatorial ou domiciliar quando possível.

O guia também traz orientações para mulheres em fases de maior vulnerabilidade: uso de anticoncepcionais, gestação, peri e pós-menopausa, e histórico de hipertensão gestacional, reforçando a necessidade de acompanhamento contínuo.

Recomendações práticas

Além das metas e protocolos, a diretriz reforça medidas de prevenção já conhecidas:

  • Mudanças no estilo de vida: perda de peso, redução do sal, aumento do potássio, dieta DASH e prática regular de atividades físicas.

  • Tratamento medicamentoso: início preferencial com associação de dois medicamentos em baixa dose, incluindo diuréticos tiazídicos, inibidores da ECA, bloqueadores de receptores de angiotensina e bloqueadores de canais de cálcio.

  • Populações específicas: a meta de 130/80 mmHg vale também para diabéticos, obesos, portadores de insuficiência renal, doenças coronarianas ou histórico de AVC.

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, cerca de 27,9% dos adultos brasileiros convivem com a hipertensão, mas apenas um terço consegue manter a pressão sob controle. A nova diretriz amplia o grupo considerado em risco e reforça a necessidade de transformar as recomendações em prática cotidiana, tanto na rede pública quanto na privada.

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