
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vêm estudando alternativas caso a anistia em tramitação no Congresso Nacional não consiga restaurar seus direitos políticos. O ex-mandatário é réu no STF por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Segundo integrantes da oposição, o chamado “plano B” envolve o apoio do ministro Kássio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro ao STF, que assumirá a presidência do TSE em 2026. O voto de outro ministro ligado ao ex-presidente, André Mendonça, também é considerado estratégico para a estratégia da oposição. A expectativa é de que, com o comando de Marques no TSE, seja mais fácil buscar soluções jurídicas caso a anistia não passe no Congresso.
Atualmente, tramita na Câmara um projeto de anistia que beneficiaria presos pelos atos do dia 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro e investigados no inquérito das fake news, além do perdão à condenação eleitoral do ex-presidente. Apesar de o relatório final ainda não ter sido definido, líderes do PL têm se mobilizado para garantir votos favoráveis e aumentar a pressão sobre os partidos aliados.
Em junho de 2023, o TSE declarou Bolsonaro inelegível até 2030, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. Na ocasião, apenas Marques e o ministro Raul Araújo votaram a favor da manutenção da elegibilidade do ex-presidente.
Nesta semana, a articulação da anistia ganhou força com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e conquistou apoio do Republicanos ao projeto. O partido se somou a PP, União, PL e Novo na pressão pelo texto.
Apesar de ainda não haver cronograma definido, a proposta deve ser apreciada apenas após o julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para terminar em 12 de setembro. Líderes do PL, como Sóstenes Cavalcante (RJ), planejam reuniões com aliados e levantamento de votos, inclusive de partidos de centro, MDB e PSD, que ainda não manifestaram apoio formal.



