Teresina sexta-feira, 6 março, 2026

A Sociologia e o Enem: Uma análise por Arnaldo Eugênio, Doutor em Antropologia

À medida em que os dias das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) se aproximam, a maioria dos estudantes tende a desenvolver ansiedade e outras psicopatologias, por pensarem mais no que virá do que em se preparar, e viver no agora. Ou seja, gastam energia com o que não têm controle, como, por exemplo, especular sobre os temas e temáticas de Sociologia que devem estudar em 2025.

A Sociologia é uma ciência social que estuda a sociedade, os padrões de relações sociais, a interação social e a cultura da vida cotidiana, com o objetivo de interpretar o comportamento social do homem. Logo, trata-se do estudo científico sobre a organização e o funcionamento das sociedades humanas, bem como das leis fundamentais que regulam as relações sociais, interpessoais, institucionais etc.

Pela sua importância, a Sociologia poderia está presente nos currículos escolares desde a educação infantil – e, principalmente, na formação continuada dos profissionais da educação –, visando a construção de uma educação reflexiva e uma sociedade mais crítica, consciente e solidária. Pois, a Sociologia tem um papel crucial na educação – para além do ENEM – ao fornecer bases teórico-metodológicas para a compreensão da sociedade e do mundo, através de análises das interações interpessoais e dos fatos sociais.

Assim, ao possibilitar a análise e entendimento das relações sociais, das instituições e das estruturas sociais, a Sociologia capacita os estudantes e os profissionais da educação a desenvolverem um pensamento crítico e reflexivo sobre os seus próprios contextos e as realidades distantes. Com a perspectiva sociológica se desperta e se promove a conscientização social e a formação para a cidadania ativa.

Nesse sentido, a Sociologia oferece inúmeras contribuições para uma educação reflexiva – que enfatiza o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia intelectual dos indivíduos, incentivando-os a refletir sobre suas próprias experiências de aprendizagem, de ensino e a questionar o conhecimento e as certezas.

A Sociologia estimula a capacidade de indagar, de analisar e de interpretar a realidade social, indo além da ótica do senso comum. Ela favorece a compreensão das mudanças, das diversidades, das identidades e das desigualdades sociais, promovendo uma consciência social e o pensamento crítico. Por exemplo, as interconexões entre a escola, a família e a sociedade, a cooperação e a empatia – como elementos fundamentais para uma convivência saudável e harmoniosa.

Nesse sentido, a prova de Sociologia no Enem tende a seguir o padrão de anos anteriores, explorando temas centrais e abrangentes – como o papel do Estado, a importância dos movimentos sociais na conquista de direitos para a sociedade; as manifestações culturais no Brasil, que envolve o patrimônio material e imaterial, o etnocentrismo, a indústria cultural, a diversidade, o relativismo, o determinismo e o estruturalismo cultural.

Nos últimos oito anos (de 2016 a 2024), a banca organizadora do ENEM tem optado por não cobrar questões que tratem mais de conteúdos específicos, preferindo focar em análises sociológicas e interpretativas sobre os problemas sociais apresentados em enunciados contextuais.

Assim, dentre os cinco assuntos mais recorrentes (ou que “caem”) nas questões de provas de Sociologia no Enem para as análises sociológicas e interpretativas estão: Cultura e Sociedade (18,4%), Movimentos Sociais (17,3%), Estado e Cidadania (15,3%), Sociologia Brasileira (14,3%) e Sociologia Contemporânea (10,2%). Trata-se de um levantamento a partir de provas anteriores que serve de parâmetro para os estudos e não uma certeza do que virá na prova do ENEM.

Portanto, a Sociologia tem um papel crucial na educação – para além do ENEM – e deve ser entendida como essencial para uma consciência social e a cidadania ativa.

Coluna Perspectiva por Arnaldo Eugênio – Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio; Cientista Social – Doutor em Antropologia – Mestre em Políticas Públicas – Especialista em Segurança Pública – Consultor do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos (CEEDH-PI)