
A limpeza urbana em Teresina alcançou um nível crítico, levando o prefeito Silvio Mendes (União Brasil) a decretar situação de emergência no setor, na última segunda-feira (25). A decisão visa enfrentar um problema que se arrasta há anos, agravado por modelos de gestão ineficientes, contratos emergenciais e falta de fiscalização.
Segundo o prefeito, o decreto permitirá a contratação emergencial de mais de 60 caminhões, caçambas e garis, além de empresas especializadas, para reforçar a coleta e a limpeza da capital.
“Nós estamos decretando neste momento emergência na limpeza pública da cidade. Todo mundo sabe que as doenças são geradas a partir do acúmulo de lixo. A chuva está chegando e tem gente morrendo com dengue. A população está certa em reclamar por um serviço que não está recebendo”, afirmou Silvio Mendes em coletiva.
Contratações emergenciais e vagas ilimitadas
Seis empresas e uma cooperativa de trabalhadores estão atuando na limpeza da cidade, incorporando os atuais funcionários do consórcio Aurora/Recicle. “Todos são bem-vindos, tem lugar para trabalhar, tem oportunidade e a prefeitura tem dinheiro para pagar”, declarou Mendes.
Segundo o prefeito, não há limite para contratações, que começaram na segunda-feira (25), e todos os trabalhadores terão direitos garantidos, com carteira assinada e remuneração paga diretamente pela Prefeitura.
Transição das empresas e continuidade dos serviços
O presidente da Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (Eturb), Vicente Moreira, afirmou na última quinta-feira (28) que o objetivo é garantir uma transição tranquila das responsabilidades do consórcio Aurora/Recicle para as novas empresas, cujo contrato terá validade até 10 de setembro.
“A recomendação é de que todos sejam absorvidos a não ser que eles não desejam. A gente não pode forçar as pessoas a nada. Tem muita gente querendo deixar o sistema, porque o trabalho é muito pesado e árduo. A recomendação é essa. A transição está sendo encaminhada pacificamente com o consórcio Aurora/ Recicle”, explicou Vicente Moreira.
Enquanto isso, a Eturb coordena a distribuição das equipes e veículos para atender pontos críticos da cidade, compensando falhas do consórcio anterior.
“A gente conversa com eles, vê a programação para onde os caminhões estão indo e a gente faz pontos em que a coleta deixou de ser feita por conta da deficiência dos caminhões do consórcio. A gente procura resolver o problema”, completou o presidente.
Um problema histórico e estrutural
O caos na limpeza urbana de Teresina não é recente. Desde 2023, a situação se agravou, com contratos emergenciais ineficientes e um modelo de gestão ultrapassado, baseado no consórcio Recicle e Aurora, responsável pelo serviço na capital. Relatos de falhas na coleta, varrição e destinação do lixo são constantes, mesmo com pagamentos milionários realizados nos últimos anos.
Especialistas apontam que a falta de uma agência reguladora atuante para o setor de resíduos sólidos, diferente do foco exclusivo em água e esgoto, contribui para a perpetuação do problema. A legislação brasileira prevê que a coleta de lixo e limpeza urbana sejam parte do saneamento básico, exigindo fiscalização rigorosa e modelos de gestão claros, como concessões ou parcerias público-privadas (PPP), capazes de trazer estabilidade, investimento e inovação tecnológica.
A Prefeitura de Teresina vê solução agora na contratação emergencial e na transição organizada para novas empresas como medida imediata para garantir a limpeza urbana, reduzir riscos à saúde e enfrentar o acúmulo de resíduos antes da chegada da temporada de chuvas.



