
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 2,10% nesta terça-feira (19), aos 134.432 pontos, pressionado principalmente pelo setor bancário. O dólar comercial subiu 1,19%, cotado a R$ 5,4993, refletindo a busca por ativos mais seguros diante da instabilidade.
A forte desvalorização do setor financeiro provocou perdas superiores a R$ 41 bilhões no valor de mercado de cinco grandes bancos: Banco do Brasil (-5,79%), Bradesco (-3,79%), BTG Pactual (-4,04%), Itaú (-3,97%) e Santander (-4,88%). Esse montante equivale praticamente ao valor de mercado da Caixa Seguradora, atualmente avaliada em R$ 40,74 bilhões.
O movimento foi motivado pela decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu empresas e instituições no Brasil de aplicarem restrições decorrentes de atos unilaterais estrangeiros sem autorização expressa da Corte. A medida afeta diretamente a aplicação da Lei Magnitsky dos Estados Unidos, que impõe sanções financeiras a cidadãos estrangeiros, incluindo o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo especialistas, investidores reagiram transferindo recursos para o dólar e outros ativos considerados seguros. “A valorização do dólar reflete a percepção de risco diante do impasse entre Brasil e EUA”, explicou Pedro Moreira, sócio da One Investimentos.
Cenário internacional
No exterior, o mercado acompanha negociações entre Donald Trump, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e líderes europeus sobre o fim da guerra na Ucrânia, incluindo a possível realização de um encontro trilateral com Vladimir Putin. Além disso, declarações de membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e expectativas sobre a política de juros nos EUA influenciam o fluxo de capitais para o Brasil.
Bolsas globais
Wall Street fechou em baixa, com S&P 500 recuando 0,6% e Nasdaq caindo 1,5%. Na Europa, os principais índices operaram em alta, com destaque para Paris (+1,21%) e Frankfurt (+0,45%). Na Ásia, os índices acionários registraram queda, exceto Cingapura, que avançou 0,69%.
O episódio evidencia como decisões judiciais internas, tensões geopolíticas e expectativas econômicas globais podem gerar perdas expressivas para investidores brasileiros, como o prejuízo de mais de R$ 41 bilhões registrado apenas em um dia.



