Teresina sábado, 25 julho, 2026

Quebradeiras de Coco de Miguel Alves (PI) terão fábrica de sabonetes artesanais com óleo de babaçu

Um grupo de 10 mulheres da Associação das Quebradeiras de Coco de Miguel Alves, no norte do Piauí, foi selecionado no edital da Fundação Banco do Brasil para implantar a primeira fábrica de sabonetes artesanais feitos com óleo de babaçu na região. O projeto visa ampliar a renda das mulheres e fomentar o empreendedorismo local.

A fábrica será instalada na localidade Retrato, a 20 km do centro de Miguel Alves, região com extensos babaçuais de livre acesso às quebradeiras, que há anos extraem o coco babaçu para produção de diversos derivados, como azeite, óleo, mesocarpo e biscoitos.

Com o apoio da ex-governadora Regina Sousa, o projeto está na fase final de aprovação para liberação dos recursos. Após a reforma da casa que abrigará a fábrica, serão oferecidos cursos para as mulheres sobre produção de sabonetes, gestão de negócios e desenvolvimento de embalagens sustentáveis, aproveitando materiais dos babaçuais.

Maria Lúcia, presidente da associação, destaca que a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar a renda das famílias e fortalecer os negócios ligados à cadeia produtiva do babaçu. “Hoje, a associação vive principalmente das vendas de mesocarpo, azeite, óleo extra virgem e biscoitos, que complementam o sustento de nossas famílias. Também participamos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), da Conab e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que valorizam a agricultura familiar”, explica.

Ela ressalta ainda a importância da parceria com a Fundação Banco do Brasil, que possibilitou a construção da casa de produção e o início do curso de saboaria, que terá inicialmente 10 mulheres participantes. “Nós mulheres empreendedoras do coco babaçu temos muito a agradecer pela parceria com a fundação. Hoje, podemos dizer que somos empreendedoras. No caso da saboaria, teremos um curso que vai começar com 10 mulheres. Vai ser uma experiência ótima e estamos ansiosas para iniciar as atividades”, afirma Maria Lúcia.

O projeto também busca explorar de forma sustentável o potencial produtivo do babaçu, uma palmeira vital para muitas famílias da região. Do coco, além dos alimentos e do carvão vegetal, surgem produtos de artesanato e adubos naturais, fomentando economia e preservação ambiental.

Alzira Sales Pereira, produtora da associação, reforça o impacto econômico, social, cultural e ambiental do projeto. “A fabricação de sabonete artesanal, que terá como base o óleo de coco babaçu, vai combinar muitos fatores econômicos, sociais, culturais e ambientais”, conclui.

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