
O Brasil se despede de um dos maiores nomes do samba. O cantor, compositor e instrumentista Arlindo Cruz faleceu nesta sexta-feira (8/8), aos 66 anos. A informação foi confirmada pela esposa do artista, Babi Cruz.
Arlindo enfrentava complicações de saúde desde 2017, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. O episódio o deixou com sequelas severas, afetando sua mobilidade e fala. Desde então, passou por diversas internações e mais de 17 cirurgias, sempre cercado pelo carinho dos fãs e da família.
Trajetória marcada pelo talento e pela resistência
Arlindo Domingos da Cruz Filho iniciou sua trajetória musical ainda jovem, estudando solfejo e violão clássico na escola Flor do Méier, em 1975. Nas rodas de samba, conheceu o mestre Candeia, de quem recebeu apoio e inspiração. Segundo Arlindo, foi com ele que aprendeu sobre arte, negritude, samba de roda, capoeira e jongo.
Mesmo enquanto estudava na Escola de Cadetes do Ar, em Barbacena (MG), Arlindo não abandonou a música, participando de corais e festivais. Ao retornar ao Rio de Janeiro, passou a frequentar o lendário Cacique de Ramos, berço de grandes sambistas como Jorge Aragão, Almir Guineto, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho.
A grande virada veio com o convite para integrar o grupo Fundo de Quintal, após a saída de Jorge Aragão. Arlindo permaneceu no grupo por 12 anos, assinando clássicos como “Castelo de Cera”, “Só pra Contrariar”, “O Mapa da Mina” e “Seja Sambista Também”.
Mais tarde, ao lado de Sombrinha, formou uma das duplas mais respeitadas do samba, antes de seguir carreira solo nos anos 1990. Durante sua trajetória, Arlindo teve mais de 550 composições gravadas por diversos artistas e foi responsável por sucessos como “Meu Lugar”, “O Show Tem que Continuar”, “Meu Poeta” e “O Bem”.
Reconhecimento e legado
Compositor de sambas-enredo marcantes para escolas como Império Serrano, Vila Isabel, Grande Rio e Leão de Nova Iguaçu, Arlindo também teve músicas interpretadas por ícones como Beth Carvalho e Zeca Pagodinho.
O artista foi indicado quatro vezes ao Grammy Latino, entre 2008 e 2016, e gravou oito álbuns na carreira solo, consolidando-se como uma das figuras mais influentes da música brasileira contemporânea.
Casado com Babi Cruz desde 2012, Arlindo era pai de Arlindinho e Flora Cruz, que também seguem caminhos ligados à arte e ao samba.
Mesmo afastado dos palcos desde 2017, Arlindo permaneceu presente no imaginário coletivo, sendo homenageado em shows, desfiles e projetos culturais. Sua voz, seu cavaquinho e sua poesia seguem eternizados na história da música popular brasileira.



