
Um vídeo obtido pelo Ministério Público revelou a execução sumária de um morador de rua, identificado como Jeferson, ocorrida na noite do dia 25 de março, sob o viaduto de mesmo nome, na região central de São Paulo. A vítima foi assassinada por policiais militares, mesmo estando rendida e desarmada. A ação foi considerada brutal e intencional pelas autoridades, que denunciaram os agentes por homicídio qualificado, fraude processual e falsidade ideológica.
Segundo a investigação, o tenente Allan efetuou três disparos de fuzil contra Jeferson por volta das 21h25, sendo um deles na cabeça. No momento do crime, o soldado Danilo tentou cobrir a lente da câmera corporal para ocultar as imagens. Antes da execução, os policiais permaneceram por cerca de uma hora com a vítima, que chorava, na parte de trás de uma pilastra do viaduto, fora da vista de câmeras públicas e de quem passava de carro na avenida.
Imagens das câmeras corporais desmentem a versão apresentada pelos policiais, de que Jeferson tentou tomar a arma do soldado Danilo. As gravações mostram o homem calmo, rendido e sem oferecer resistência.
O Ministério Público afirma que a execução foi motivada por “mero sadismo” e destaca o desprezo dos agentes pela vida humana, especialmente pela condição de vulnerabilidade da vítima. “O homicídio foi cometido com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, a qual já estava rendida e subjugada”, afirmou o promotor do caso.
Identificação da vítima e investigações em andamento
Jeferson ainda não foi formalmente identificado pela Polícia Civil, pois não portava documentos no momento da abordagem. A Justiça deve ouvir outros policiais que estavam presentes na ação para esclarecer o caso.
A defesa do soldado Danilo afirmou que ainda não teve acesso completo ao processo e, por isso, não comentará o caso fora dos autos. Já a defesa do tenente Allan declarou que a ação policial foi em legítima defesa, argumento que será apresentado ao tribunal do júri.
Condenação da ação pela própria PM
O porta-voz da Polícia Militar, coronel Emerson Massera, repudiou o ocorrido e classificou o crime como “uma ação abominável”. Segundo ele, a ação não se trata apenas de descumprimento de procedimentos, mas de um homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. “As imagens de uma das câmeras corporais mostraram que o homem abordado estava tranquilo, sem oferecer qualquer tipo de ameaça ou resistência. O tenente (Alan) efetuou, ali, três disparos de fuzil, atingindo a vítima na cabeça, no tórax e no braço direito. Não estamos falando nem de descumprimento de procedimentos operacionais, estamos diante de um homicídio doloso, claramente intencional. Uma atitude que não encontra amparo em nenhum tipo de lei ou procedimento. Uma ação abominável“, afirmou.
Os policiais envolvidos estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes após terem a prisão preventiva decretada pela Justiça. A juíza responsável pelo caso rejeitou o pedido de revogação da prisão apresentado pelos advogados da defesa.


