Teresina quarta-feira, 25 fevereiro, 2026

Os fazedores de cultura: Uma análise por Arnaldo Eugênio, Doutor em Antropologia

Coluna Perspectiva por Arnaldo Eugênio, doutor em Antropologia/Foto: Reprodução – Arquivo Pessoal

No atual governo, com a retoma da política nacional de incentivo à cultura no Brasil, depois do “período negacionista” (2019-2022) – marcado pelo “patriotismo fake” e o rebaixamento do status do Ministério da Cultura (MinC), criado em março de 1985, para Secretaria Especial da Cultura –, os chamados “Fazedores de Cultura” enfrentam dois desafios para implementar os seus planos e projetos, e desenvolver a “cultura local” numa perspectiva da “cultura global”: 1) a frágil organização dos atores culturais e 2) a condução política dos recursos vinculados.

Os “Fazedores de cultura” são os agentes sociais – indivíduos e/ou grupos (artistas, músicos, umbandistas, escritores, atores, artesãos, produtores culturais etc.) – que atuam ativamente na criação, produção e promoção de manifestações culturais, contribuindo para a construção, a expressão e a dinâmica da cultura em suas diversas formas e lugares.

Assim, no contexto sociocultural dos municípios, os “fazedores de cultura” têm um papel social importantíssimo, pois são responsáveis por dar visibilidade à cultura local e fortalecer a cultura estadual, através de suas criações e produções, tornando-a viva, dinâmica e significativa para a construção da identidade nacional.

Contudo, no contexto nacional, os “Fazedores de cultura” têm enfrentado uma infinidade de desafios, tais como: a falta de reconhecimento, o pouco apoio institucional, a desigualdade social, as dificuldades de acesso à cultura, além de questões de financiamento e infraestrutura. Eles dificultam o trabalho e o engajamento de múltiplos setores da cultura, como uma política pública.

Além disso, a concepção do que é cultura e a orientação político-ideológica das ações do ministério flutuam muito a cada novo governante – principalmente os questionamentos sobre a necessidade da existência do Ministério da Cultura.

Desse modo, as políticas de cultura estaduais são afetadas, prejudicando o trabalho dos “fazedores de cultura” e o seu protagonismo na produção cultural, em contraste com uma visão mais passiva da cultura como algo pronto e acabado.

Porém, o impacto negativo sobre os “Fazedores de cultura” é mais sentido no contexto dos municípios. Pois, eles não apenas criam, mas, também, se engajam na divulgação, na captação de recursos, na preservação e difusão das manifestações culturais, muitas vezes atuando em suas comunidades e promovendo a participação social, sem quaisquer distinções.

Nesse sentido, em muitos contextos municipais, a frágil organização dos atores culturais e, principalmente, a condução política dos recursos vinculados – federais e estaduais –, são limitadores para as ações dos “Fazedores de cultura”, restringindo a diversidade de agentes e práticas culturais, que impactam diretamente na valorização da pluralidade de expressões, de valores, de experiências e de histórias de vida.

Assim, urge que os “Fazedores de cultura” se comuniquem e organizem os atores culturais para reverter esse quadro preocupante. E, com isso, unidos, buscar o reconhecimento e apoio ao trabalho desses agentes sociais, dando voz e protagonismo aos que fazem a cultura acontecer no município, independente da troca política de governantes e de parlamentares.

Por conseguinte, poder-se-á fazer frente à condução política dos recursos vinculados feita à vontade dos gestores municipais que, intencionalmente, buscam sabotar a grandeza do trabalho dos verdadeiros “Fazedores de cultura” com manipulações e subterfúgios, configurando como um desserviço à promoção e ao reconhecimento da cultura local.

Logo, um município que não trata e preserva sua cultura e sua arte jamais terá uma valorização. Pois a desconsideração de seus saberes e práticas, por parte de instituições públicas e da sociedade, o levará à marginalização, exclusão, fim das tradições e perda de identidade cultural.

Coluna Perspectiva por Arnaldo Eugênio – Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio; Cientista Social – Doutor em Antropologia – Mestre em Políticas Públicas – Especialista em Segurança Pública – Consultor do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos (CEEDH-PI)

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