
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB), que está presa desde abril sob acusação de corrupção eleitoral e organização criminosa, utilizou indevidamente um celular enquanto se encontrava detida no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar (QCG), em Teresina (PI). Imagens e capturas de tela obtidas pela Polícia Federal revelam que a parlamentar realizou chamadas de vídeo com seu companheiro, Alandilson Cardoso, também preso e acusado dos mesmos crimes.
As informações constam em um relatório da PF, que indicou ainda que o aparelho foi utilizado entre 7 de abril e 20 de maio, mesmo após ter sido oficialmente apreendido e entregue a um advogado da parlamentar.
Uso irregular de celular inclui compras e pesquisa de passagem


Durante o período em que teve acesso ao aparelho, Tatiana não apenas trocou mais de 1.500 mensagens, como também fez um pedido de compras em um supermercado de Teresina, no valor de mais de R$ 500, com entrega para um local ainda não identificado pela investigação. Além disso, ela teria pesquisado passagens aéreas de Belo Horizonte para Teresina, para o dia 27 de maio, o que reforça a suspeita de articulações externas à prisão.
Seu companheiro, Alandilson Cardoso, está preso na capital mineira desde novembro de 2024.
Conversas com advogado também estão sob análise
O material coletado pela PF mostra ainda trocas de mensagens e ligações de áudio entre Tatiana e um de seus advogados — que também é seu tio. Em uma dessas conversas, o defensor busca uma certidão que deveria ser assinada por Tatiana e levada à Câmara Municipal de Teresina, sugerindo tentativas de movimentação política enquanto ela permanecia detida.
O documento da Polícia Federal não identificou quem teria devolvido o celular à vereadora após a apreensão. O fato de o aparelho ter sido utilizado mesmo depois de ser retirado oficialmente do alcance da detida levanta suspeitas sobre falhas na fiscalização no QCG.
Prisão domiciliar pode ser revista
Tatiana Medeiros foi beneficiada com a prisão domiciliar na última terça-feira (3), após alegações sobre seu estado de saúde. No entanto, segundo o advogado eleitoral Welson Oliveira, os novos elementos revelados podem comprometer a manutenção da medida judicial.
“O fundamento [da decisão judicial] foi o estado de saúde dela. Se alguma dessas provas foi no período em que ela teve o problema de saúde, isso pode gerar uma possível revogação da prisão domiciliar”, afirmou o especialista.
Informações do G1 Piauí



