
A renomada arqueóloga Niéde Guidon faleceu na madrugada desta quarta-feira (4), aos 92 anos. A informação foi confirmada por Marian Rodrigues, chefe do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Considerada uma das maiores pesquisadoras da história do Brasil, Niéde dedicou mais de cinco décadas à arqueologia, sendo responsável por descobertas que mudaram a compreensão sobre a presença humana nas Américas.
Nascida em Jaú, São Paulo, Guidon iniciou seus estudos em História Natural pela Universidade de São Paulo e consolidou sua carreira na França. Foi durante uma exposição acadêmica que ouviu falar, pela primeira vez, das pinturas rupestres em São Raimundo Nonato (PI), o que mudaria completamente sua trajetória profissional. Em 1970, veio ao Brasil em missão científica e, ao visitar os paredões da região, reconheceu a magnitude das descobertas arqueológicas presentes ali.
Ao longo dos anos, Niéde liderou escavações e pesquisas que revelaram vestígios humanos datados de até 50 mil anos, desafiando as teorias tradicionais sobre o povoamento do continente americano. Seu trabalho gerou debates acalorados na comunidade científica internacional e colocou o Brasil no centro das discussões sobre a pré-história das Américas.
A missão arqueológica ganhou força com a criação da Missão Franco-Brasileira em 1978 e, posteriormente, com a fundação do Parque Nacional da Serra da Capivara em 1979, seguido pela criação da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), que garantiu recursos e estrutura para continuidade dos estudos.
Em reconhecimento à sua contribuição, a Unesco declarou o parque como Patrimônio Cultural da Humanidade. Mais recentemente, em 2020, Niéde tomou posse na cadeira número 24 da Academia Piauiense de Letras (APL), em cerimônia virtual.
Niéde Guidon deixa um legado científico inestimável e o exemplo de uma vida inteira dedicada à preservação e valorização do patrimônio arqueológico brasileira.



