
O governo da Ucrânia solicitou nesta terça-feira (13) que o Brasil intervenha junto à Rússia para garantir a presença do presidente Vladimir Putin em um encontro direto com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky, previsto para acontecer na próxima quinta-feira (15), em Istambul, na Turquia. A solicitação foi feita pelo chanceler ucraniano Andrii Sybiha, em contato telefônico com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
“Reafirmei a prontidão do presidente Zelensky para se encontrar com Putin na Turquia e pedi ao Brasil que use sua voz competente em seu diálogo com a Rússia para que este encontro direto de mais alto nível aconteça”, declarou Sybiha.
O diálogo, caso aconteça, será o primeiro entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. A iniciativa de um possível cessar-fogo partiu de Putin no domingo (11), após pressões de líderes europeus por uma trégua de 30 dias e ameaça de novas sanções à Rússia.
Zelensky aceitou a proposta e classificou o movimento como “um sinal positivo”, desde que haja um cessar-fogo imediato. No entanto, o Kremlin, nesta terça-feira, colocou em dúvida a presença de Putin na reunião, levantando a possibilidade de enviar apenas representantes — o que levou a Ucrânia a recorrer ao Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou o contato entre os chanceleres e afirmou que Mauro Vieira reiterou a defesa brasileira por uma negociação direta entre Rússia e Ucrânia. O Brasil afirmou ver com bons olhos a proposta russa de diálogo, mantendo sua postura diplomática em favor da paz.
O presidente Lula, inclusive, esteve com Putin em Moscou no início da semana e, segundo fontes do governo brasileiro, solicitou ao líder russo um cessar-fogo prolongado.
Leia também:
Apesar da postura atual, o histórico recente entre os presidentes do Brasil e da Ucrânia é de divergência. Em 2023, Zelensky declarou que Lula já não era mais um “player” relevante nas negociações e afirmou que “o trem do Brasil já passou”. Lula, por sua vez, criticou a estratégia militar do ucraniano e defendeu a via diplomática como solução para o conflito.
A tensão aumentou após Lula recusar um encontro com Zelensky em Brasília, quando o ucraniano passou pelo Brasil rumo à posse de Javier Milei na Argentina.



