Teresina terça-feira, 23 junho, 2026

Blogueira Ana Azevedo é presa em operação que desarticula atuação feminina em facções criminosas no Piauí

Operação policial mira contra mulheres ligadas a facções/Foto: SSP-PI

A blogueira Ana Azevedo foi presa nesta terça-feira (30) durante uma grande operação da Polícia Civil do Piauí que mirou a participação estratégica de mulheres em facções criminosas. Ana foi localizada no Residencial Dagmar Mazza, no bairro Santo Antônio, zona Sul de Teresina. Ao ser presa, enviou uma mensagem aos seus seguidores nas redes sociais: “Um beijão a todos os meus seguidores. Daqui a pouco a gente volta, me aguardem”, afirmou a influencer.

A operação é resultado de desdobramentos investigativos da Operação DRACO 198, deflagrada em março deste ano. Naquela ocasião, um celular vinculado a A. da S. M. — tia de um dos líderes da organização e integrante ativa do núcleo feminino — foi apreendido. A análise do aparelho revelou provas contundentes que expuseram a existência de uma estrutura hierárquica no grupo, incluindo a criação de um grupo no WhatsApp chamado “A LUTA NÃO PARA”, onde eram compartilhadas ordens internas, cadastros, estatutos e mensagens sobre as atividades criminosas.

As ações desta terça-feira ocorreram em diversos bairros de Teresina, como Todos os Santos (Residencial Pedro Balzi), Santo Antônio (Invasão Dagmar Mazza), Monte Castelo, Dirceu II, Lourival Parente, Areias (Loteamento Primavera), Parque Jacinta e Samapi. Também houve cumprimento de mandados nas cidades de Timon (MA), Demerval Lobão (PI) e Nazária (PI). Todos os mandados foram expedidos pela Central de Inquéritos de Teresina.

Segundo a investigação, as mulheres presas tinham papéis relevantes dentro da organização criminosa, como disseminação de ordens hierárquicas, aplicação de sanções internas, recrutamento de novos membros, arrecadação de valores ilícitos e coordenação logística do tráfico de drogas, além de apoio a ações violentas. O material apreendido também revelou o uso de linguagem codificada, símbolos característicos da facção e a existência de um estatuto disciplinar, reforçando o modus operandi típico de organizações criminosas, conforme descrito na Lei nº 12.850/2013.

A operação contou com o apoio da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), das inteligências da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública (DIPC e DINT), além de unidades especializadas como o DEOP, DPM, DPI, delegacias seccionais da Polícia Civil, Polícia Militar do Piauí (BOPE, BEPI e BOPAER) e a Guarda Civil Municipal de Teresina (ROMU e GOC).

O avanço da atuação feminina dentro das facções é um fenômeno que tem preocupado as autoridades e exigido estratégias específicas das forças de segurança. A operação reflete a necessidade de investigações qualificadas e de uma resposta articulada para enfrentar a nova dinâmica do crime organizado no estado.

Operação policial mira contra mulheres ligadas a facções/Foto: SSP-PI

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