
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB), presa durante a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, continuará detida preventivamente. A decisão foi tomada pelo juiz Luís Henrique Moreira Rego, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), após audiência de custódia realizada na manhã desta sexta-feira (4). A defesa havia solicitado o relaxamento da prisão, mas o Ministério Público Eleitoral pediu vistas ao pedido, o que adia qualquer decisão sobre a liberdade da parlamentar.
Durante a audiência, Tatiana não foi interrogada sobre o inquérito nem sobre as acusações que enfrenta. O procedimento incluiu apenas questões formais, como identificação pessoal e manifestação da defesa. Em atendimento a um requerimento dos advogados, o juiz autorizou a transferência da vereadora para uma Sala de Estado Maior, localizada no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, conforme prevê o Estatuto da Advocacia.
A sessão, realizada no plenário do TRE-PI, não foi gravada a pedido da própria parlamentar. A coordenadora do Núcleo de Garantias do TRE-PI, juíza Melissa Vasconcelos Lima Pessoa, informou que a audiência seguiu o rito legal, sem ultrapassar dez minutos, ressaltando que o caso ainda se encontra na fase de inquérito.
Tatiana foi presa na manhã da quinta-feira (3), após mandado expedido pela Justiça Eleitoral. A principal suspeita contra a vereadora é a de que ela tenha tentado obstruir as investigações ao supostamente apagar uma mensagem de celular relacionada ao caso. Sua prisão, segundo o juiz, teria como objetivo preservar a integridade das apurações.
A defesa, por outro lado, criticou a decisão judicial, alegando ausência de contemporaneidade dos fatos e falta de risco real à investigação. O advogado Dellano Sousa declarou que a prisão foi surpreendente, já que Tatiana vinha colaborando com a Polícia Federal desde o início. “Ela está com a consciência tranquila e acredita na justiça”, afirmou o defensor em entrevista à imprensa.
Além de Tatiana, a Operação Escudo Eleitoral também resultou no cumprimento de outros sete mandados judiciais, incluindo afastamentos e buscas em órgãos públicos, como a Câmara Municipal, a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Saúde do Estado. A investigação apura um suposto esquema de financiamento de campanha eleitoral com recursos de facções criminosas, tendo como um dos principais alvos o ex-namorado da vereadora, Alandilson Cardoso Passos, preso em 2024 sob suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A Justiça deve se pronunciar nos próximos dias sobre a manutenção ou não da prisão preventiva da parlamentar, após o parecer do Ministério Público.



